
Ordenação Diaconal – 13.12.2025
Daniel Francisco da Silva Chagas, Lailson Rodrigues Costa e Paulo Júnior Silva de Aquino
Nm 3, 5-9; Sl 88(89), 21-22.25 e 27; At 10, 37-43; Mt 20, 25b-28.
Peregrinos de Esperança!
Queridos irmãos e irmãs!
Encontramo-nos mais uma vez em nossa Catedral de Sant’Ana. A beleza de sua arquitetura e dos ornamentos ajuda recordar que somos todos “pedras vivas” desta Igreja particular, a Diocese de Mogi das Cruzes, que completará, no próximo dia 30 de dezembro, 63 anos de sua instalação e posse do seu primeiro bispo, Dom Paulo Rolim Loureiro.
Estamos no limiar do encerramento do “Jubileu da Esperança”, proposto pelo Papa Francisco e continuado pelo Papa Leão XIV. É tempo de colher as graças deste ano jubilar, em que nos esforçamos para caminhar como “Peregrinos de Esperança”, proclamando ao mundo que Cristo é a “chama viva da nossa esperança”.
Uma dessas graças é a celebração da ordenação diaconal de três jovens de nosso Seminário Maior: Daniel, Lailson e Paulo Júnior – verdadeira dádiva divina que reflete o dom das vocações que Deus tem generosamente suscitado em nossa Diocese. Hoje, temos a ordenação de três diáconos transitórios, em vista do presbiterado; em janeiro, teremos a ordenação de quatro diáconos permanentes e um sacerdote. Sentimos o quanto Deus tem ouvido a oração do povo que, com perseverança suplica ao “Senhor da messe que envie operários para a sua colheita” (cf. Mt 9, 38; Lc 10, 2).
O Diaconado é o primeiro grau do sacramento da ordem, numa configuração ao Cristo Servo, que veio ao mundo para fazer a vontade do Pai trazendo paz e salvação. O Diaconado é exercido em três múnus: a pregação da Palavra de Deus, a Liturgia e a Caridade – dos quais decorre a Missão.
A pregação da Palavra de Deus (primeiro múnus) equivale ao anúncio do evangelho de Jesus Cristo, sendo Ele, ao mesmo tempo, Palavra eterna do Pai e Palavra encarnada em nossa humanidade. Portador do Evangelho de Deus, anuncia o Reino de Deus, sendo Ele próprio a presença do Reino, como afirmou: o Reino de Deus está no meio de vós (Lc 17, 21). A intimidade com Jesus Cristo faz de nós seus “discípulos-missionários”. E, assim, toda a Igreja se torna, mormente os ministros ordenados, portadora do Kerygma, isto é, da mensagem da salvação que Jesus Cristo oferece à humanidade.
Queridos filhos Daniel, Lailson e Paulo! Durante os anos de seminário, vocês foram progredindo na escuta, meditação, acolhida, conhecimento e interiorização da Palavra de Deus. De ouvintes fiéis da Palavra, vocês se tornaram proclamadores, pelo ministério do leitorado. E, a partir de agora, recebendo a graça do Sacramento da Ordem, no grau do Diaconado, são investidos de forma especial como “discípulos-missionários” de Cristo, para anunciar Sua Palavra, a fim de que ela, boa semente, caia no coração de todos os seres humanos, germine e produza frutos, uns trinta, outros sessenta, outros cem por um (Mt 13, 8; cf Mc 4, 8).
A segunda leitura, dos Atos dos Apóstolos (At 10, 37-43), vemos o apóstolo Pedro “tomando a palavra” e anunciando que Jesus de Nazaré “andou por toda parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio” (At 10, 38). Pela morte e ressurreição, atinge-se a centralidade do evento pascal da Nova Aliança. E nós somos testemunhas (At 10, 41), afirma Pedro, falando dele e dos demais apóstolos, pois comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos (At 10, 41). Na esteira dos apóstolos e seus sucessores, Daniel, Lailson e Paulo, após o tempo de preparação no seminário, e agora através do Diaconado, são investidos como anunciadores da palavra de Jesus Cristo, a Palavra da salvação.
O serviço da Liturgia (segundo múnus) é a expressão do louvor a Deus. O diácono está inserido neste louvor, visto que todo o exercício do Diaconado o revela como um ser litúrgico, seja unido na liturgia do bispo, o pastor da diocese, seja nas missas que servir, seja nas outras celebrações que presidir: celebração da Palavra, do Batismo, do Funeral, do Matrimônio e as bênçãos de toda sorte. Sendo diáconos transitórios, todas as celebrações que presidirem e participarem servirão como preparação para a celebração da Eucaristia, o culto máximo cristão, a que presidirão pela graça da ordenação sacerdotal.
A primeira leitura, do livro dos Números (Nm 3, 5-9), fala da vocação dos levitas, diante de Moisés e do sacerdote Araão, no contexto do Êxodo e da primeira Aliança. Esta leitura indica a instituição dos levitas como uma vocação, pois se trata de um chamado e um mandato do Senhor Deus (v. 5). Associados ao sacerdote Araão, os levitas colaborariam com o culto dos hebreus por ocasião da peregrinação rumo a Terra Prometida. Vemos nestes levitas uma prefiguração dos diáconos da Nova Aliança (cf. At 6), como também vemos na peregrinação do povo judeu rumo à terra prometida um sinal da nossa peregrinação, no deserto deste mundo, rumo à eternidade, certos de que a liturgia celebrada no templo terrestre já prepara e prenuncia a liturgia celeste.
A Caridade (terceiro múnus), considerada a maior das virtudes teologais (1Cor 13, 13), é outra dimensão essencial da vida da Igreja, pois emana do coração de Deus que é amor (1Jo 4, 4.16), misericórdia e compaixão. Por isso, queridos filhos, sejam diáconos atentos e criativos na prática da caridade. Que vossa caridade seja efetiva e eficaz, em favor dos pobres, doentes, famintos, presos, abandonados, sofredores e necessitados. Sejam os primeiros a praticarem as obras de misericórdia, conforme o capítulo 25 do evangelho de Mateus: tive fome e me destes de comer.
No Evangelho (Mt 20, 25b-28), Jesus mostra como o modo de vida de quem o segue é diferente e faz a diferença no mundo: “os chefes das nações têm poder sobre elas e os grandes as oprimem. Entre vós não deve ser assim”. Como então deve ser? Jesus responde: “Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor, quem quiser ser o primeiro, seja vosso servo”, a exemplo d’Ele próprio, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate de muitos”.
Com estas palavras firmes, Jesus está projetando a sua Igreja para o futuro como servidora da humanidade, ou seja, uma Igreja samaritana, no dizer do Papa Francisco. Recentemente, o Papa Leão XIV afirmou que "A regra suprema na Igreja é o amor: ninguém é chamado a comandar, todos são chamados a servir ... ninguém é excluído, todos somos chamados a participar; ninguém possui toda a verdade, todos devemos procurá-la juntos e humildemente ... devemos sonhar e construir uma Igreja humilde ... que se abaixa para lavar os pés da humanidade” (26.10.2025, por ocasião do Jubileu das equipes sinodais e dos órgãos de participação). A vocação de toda a Igreja é o serviço. E, no coração da Igreja, os diáconos sejam os primeiros a se fazerem últimos e a experimentarem a alegria de servir.
Frequentemente, nas ordenações, eu costumo recordar os lemas escolhidos pelos nossos ordinandos. Daniel escolheu o lema do Jubileu da Esperança: “A Esperança não decepciona” (Rm 5, 5). Como “Peregrinos de Esperança”, os cristãos católicos puderam renovar sua fé celebrando os 2025 anos do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
A fé é o fundamento que dá sentido e direção à vida humana; a esperança faz dos cristãos sal da terra e luz do mundo, dando sabor e iluminando a humanidade com a sabedoria e a claridade de Cristo; a caridade evidencia e torna concreto o testemunho dos cristãos, fazendo-os de fato agentes da esperança que o mundo tanto anseia. Portando, Daniel, seja, como diácono, um apóstolo da esperança. Lailson escolheu um versículo de S. Paulo: “O amor de Cristo nos impele” (2Cor 5, 14), isto é, o amor de Cristo nos impulsiona. Este belíssimo versículo reflete a dinâmica da graça de Deus em nós e inspirou Lailson a ser testemunha de que foi por primeiro amado pelo Cristo e, por isso, enviado a exercitar a caridade através do serviço, por meio do diaconato que hoje lhe será conferido.
O lema de Paulo Júnior “Amou-os até o fim” (Jo 13, 1) se encontra no início relato da Última Ceia, segundo São João (Jo 13 - 17), quando o evangelista narra que Jesus, mestre e senhor, “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”, convidando os discípulos a fazerem o mesmo, isto é, lavar-vos os pés uns dos outros (Jo 13, 15). Paulo Júnior expressa com este lema seu sincero desejo de amar, servir e perseverar “até o fim”.
Termino esta meditação invocando a intercessão de Nossa Senhora, modelo de servidora fiel. “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38)! Com tais palavras, Maria coloca-se, sem reservas, a serviço de Deus e da humanidade, na força do Espírito Santo que a reveste com sua graça.
À sua materna intercessão, confiamos estes três jovens que serão ordenados diáconos, para que exerçam este ministério com a mesma fidelidade, humildade e amor. E à voz de Maria unimos as nossas para proclamar: Ó Senhor, eu cantarei eternamente o vosso amor! Amém!
Dom Pedro Luiz Stringhini
Mogi das Cruzes, 13 de dezembro de 2025