
Homilia Jubileu de Prata episcopal (10.03.2026)
In verbo autem tuo (Lc 5,5)
“Avança para águas mais profundas!”, disse Jesus. “Em atenção à tua Palavra, lançarei as redes!”, respondeu Simão Pedro. Passados dois mil anos, no limiar do terceiro milênio, eis que ressoa a voz do Papa São João Paulo II conclamando a Igreja: “Avança para águas mais profundas!”. Nomeado bispo por ele, fiz minhas as palavras de São Pedro escolhendo como lema episcopal: “Em resposta à tua Palavra” (Lc 5, 5).
Eminentíssimo Sr. Cardeal, Dom Odilo Pedro Scherer, senhores Arcebispos e bispos, padres, diáconos, religiosas/os, seminaristas, autoridades presentes ou representadas, familiares, irmãos e irmãs que se fazem presentes na Catedral de Sant’Ana e todos os que nos acompanham pela Rede Vida de Televisão e demais meios de comunicação!
Inicio saudando minha família: meu berço, aconchego e primeira referência dos valores que me orientam. Louvo a Deus pela minha família! Presto homenagem e reverência a meus pais. Hoje, completam-se nove meses do falecimento de minha mãe. Que o tempo não apague aquele sorriso que brilhou em seu rosto por 91 anos, transmitindo bondade, serenidade e alegria. Meu pai, homem forte e decidido, estaria, ontem, completando 94 anos. A eles, como recordo ter dito no dia de minha ordenação, dedico a alegria deste dia. Deixaram saudade e um inestimável legado de bons exemplos para mim, minhas irmãs e meus irmãos. Aos meus familiares aqui presentes, muito obrigado pelo carinho de sempre.
Agradeço de coração a presença dos meus irmãos bispos: Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo e metropolita desta Província eclesiástica; Dom Moacir Silva: arcebispo de Ribeirão Preto e presidente do nosso Regional Sul 1 da CNBB (o Estado de São Paulo com suas 47 dioceses); Dom Carlos Silva (auxiliar de São Paulo, secretário), Dom Fernando Figueiredo, que hoje completa 42 anos de episcopado.
Saúdo aos demais irmãos bispos cuja presença muito me alegra. Que bom tê-los aqui. Agradeço-lhes de coração por este gesto de profunda amizade, fraternidade e comunhão.
Recordo com veneração os três bispos que me ordenaram: Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida me ordenou diácono; Dom Paulo Evaristo Arns me ordenou padre. Eles, conjuntamente com Dom Cláudio Hummes, me ordenaram bispo. Sei que, do céu, eles intercedem por nós e se alegram comigo nesta data tão especial. Meu tributo aos bispos que me antecederam nesta diocese: Dom Paulo Rolim Loureiro e Dom Paulo Mascarenhas Roxo (in memoriam); Dom Emílio Pignoli (Campo Limpo) e Dom Airton José dos Santos (Mariana).
Uma saudação especial às três dioceses onde exerci o ministério episcopal: São Paulo (Região Episcopal Belém); Franca e Mogi das Cruzes. Meu episcopado traz o rosto destas três igrejas particulares. Sou grato por tudo o que nelas vivi e aprendi, sobretudo pela acolhida carinhosa do povo de Deus e do clero.
Saúdo a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da qual faço parte. Sou um entre os cerca de 490 irmãos bispos (considerando os ativos e os eméritos). Na Conferência, nesses 25 anos, pude aprender muito e dar minha contribuição: fui bispo referencial para a pastoral carcerária nacional (nos primeiros anos), presidente da Comissão episcopal para a Ação Sócio-transformadora, que compreende as pastorais sociais (de 2007 a 2011) e, por cinco anos, presidente do Regional Sul 1 (2018-2023).
Saúdo as autoridades presentes: Exma. Sra. Prefeita de Mogi das Cruzes, Mara Bertaioli; os demais prefeitos da região e outras autoridades presentes ou representadas. Muito agradecido. A presença dos senhores e senhoras muito nos honra e dignifica esta celebração, numa demonstração de amizade, proximidade, diálogo e parceria que temos mantido durante esses treze anos, em benefício do nosso povo, especialmente os mais pobres.
Minha saudação aos padres aqui presentes (desta e de outras dioceses). Na pessoa de Monsenhor Antonio Robson Gonçalves, vigário geral, e Monsenhor Dorival Aparecido de Moraes, pároco da catedral, afetuosamente, eu os saúdo e os abraço. Nossa diocese é abençoada! Conta com cerca de duzentos sacerdotes, dos quais quase a metade (102) eu tive a graça de ordenar; vinte e cinco (25) dos quais estão em missão Ad Gentes (fora da diocese): Brasil, Europa e África. Louvado seja Deus pela vida e ministério dos nossos presbíteros!
Queridos padres! Os senhores são os primeiros e mais próximos colaboradores no meu ministério episcopal. Expresso minha estima, gratidão e reconhecimento por serem pastores zelosos e generosos. Deus os recompense por todo bem que realizam. Esforcemo-nos para estar sempre próximos, na fraternidade, na amizade e no serviço. Com as palavras do apóstolo Paulo: “exorto-vos a reavivar a chama do dom de Deus que recebestes pela imposição de minhas mãos” (2Tm 1, 6).
Queridos diáconos! Os senhores oferecem um edificante testemunho, na família e no trabalho profissional. Na Igreja, estão a serviço da Palavra, do culto e da caridade junto aos pobres. Contamos com 75 diáconos permanentes e três transitórios, que em junho receberão a ordenação sacerdotal. Recordo que nós, ministros ordenados, somos chamados a ser, junto ao povo, a presença de Jesus Cristo. Sim, de Cristo servidor (os diáconos), de Cristo pastor (os padres), de Cristo cabeça (os bispos).
E vocês, queridos seminaristas, trazem esperança para o coração do bispo e do povo de Deus. Rogo a Deus que lhes dê a graça da perseverança. Ouvimos no evangelho (Lc 5, 1-11) como a multidão se comprimia ao redor de Jesus para ouvir a palavra de Deus (v. 1), e como Jesus sentou-se e, da barca, ensinava as multidões (v. 3). Também hoje, a humanidade tem fome e sede da Palavra de Deus. Que o Senhor envie operários para a sua messe (cf. Mt 9, 18) e que “o rebanho não pereça por falta de bons pastores” (cf. oração vocacional).
Saudando a todos os irmãos e irmãs aqui presentes, desejo e agradecer especialmente os que atuam nos mais diferentes serviços, através das pastorais, movimentos, novas comunidades, associações, organismos, entidades sociais, nossas escolas, cúria diocesana, tribunal eclesiástico, paróquias, comunidades e capelas, enfim, todo nosso corpo eclesial.
Eu não poderia deixar de agradecer a equipe de organização deste meu jubileu. Agradeço seu trabalho incansável, realizado com diligência e alegria, que possibilitou, hoje, estarmos aqui, vivendo este momento sublime. Confiantes, eles lançaram as redes e a pesca foi abundante (cf. v. 4.6). Deus lhes pague!
Como ouvimos no evangelho, na pesca milagrosa, São Pedro reconheceu o quanto era fraco na fé e suplicou: Senhor, afasta-te de mim porque sou um pecador (v. 8). Faço também meu pedido de perdão pelas imperfeições e fragilidades, falhas e erros. Nossas capacidades humanas são limitadas diante da grandeza da missão profética da Igreja, tão bem retratada na primeira leitura, nas palavras de Isaías, posteriormente assumidas por Jesus: evangelizar os pobres, curar as feridas da alma, anunciar a redenção aos cativos, restituir a liberdade aos presos, proclamar o tempo da graça, consolar os que choram (cf. Is 61; Lc 4).
É preciso, verdadeiramente, “avançar para águas mais profundas e lançar as redes para a pesca” (cf. v. 4). Que a minha resposta possa ser generosa como a daqueles que, ao apelo de Cristo, levaram as barcas para a margem, deixaram tudo e seguiram Jesus (v. 11). Com ardor e entusiasmo, desejo continuar seguindo Jesus Cristo e servindo ao povo de Deus.
Conto, para isso, com a oração das irmãs e dos irmãos, com a intercessão de Nossa Senhora, São José e Sant’Ana, nossa padroeira. Venham em meu auxílio a luz e os dons do Divino Espírito Santo e graça de Deus que “nos salvou e nos chamou a uma vocação santa, em virtude do seu desígnio e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus desde a eternidade” (2 Tm 1, 9).
Amém!
Dom Pedro Luiz Stringhini
Mogi das Cruzes, 10 de março de 2026.
Fotos: Mariana Silva – Photos Ioseph