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Palavra do Bispo | Homilia

Homilia

CATEDRAL DE SANT’ANA DE MOGI DAS CRUZES

Homilia da missa de Formatura do Colégio Dona Placidina

14.12.2021

 

 

“Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas sim, aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).

 

Para a pessoa de fé, o que marca a relação do ser humano com Deus é a disposição de realizar a Sua vontade, amá-lo e servi-lo. Ou seja conhecer o Desígnio de Deus, que não é outro senão Seu plano de amor que determina o sentido e a felicidade do ser humano.

 

Jesus Cristo, durante sua vida e em todo o seu ministério de Jesus, incessantemente ressaltava esse aspecto quando dizia: “não procuro a minha vontade, mas a vontade de quem me enviou” (Jo 5,30). Outro exemplo, quando ensinou a oração do Pai Nosso: “seja feita a Tua Vontade” (Mt 6,10). E no momento do sofrimento da agonia final, no horto das Oliveiras: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a Tua seja feita!” (Lc 22,42). No evangelho de hoje, contou a parábola dos dois filhos aos quais o pai pediu para trabalhar na vinha. Um disse “Não quero ir” e foi. Outro disse: “Vou” e não foi (cf. Mt 21,29)”. Jesus pergunta: “qual dos dois realizou a vontade do pai? (Mt 21,31)

 

Como na parábola, muitas vezes o cristão e todo ser humano vacila e titubeia como o filho que respondeu: ‘Não quero’, mas depois muda de opinião e vai fazer sua obrigação, cumprindo a ordem do pai, de um superior ou da própria consciência. É preciso discernir qual é a vontade de Deus na hora de decidir. A parábola fala do filho que disse ‘sim’ e não foi e do filho que disse ‘não’ e foi. Jesus é o Filho que disse ao Pai: ‘Vou’ e foi. Na parábola, Jesus ainda cita o exemplo daqueles que aparentemente dizem ‘não’ mas creram em João Batista que “veio em caminho de justiça” e se converteram (as prostitutas e pecadores), enquanto os sumos sacerdotes e anciãos (que aparentemente dizem ‘sim’) não se arrependeram.

 

A parábola mostra que Deus realiza maravilhas na vida dos simples, dos humildes e dos pobres, que geralmente são identificados com os pecadores e por isso o salmo proclama: “minha alma se gloria no Senhor; que ouçam os humildes e se alegrem” (Sl 33/34,3). Para o Profeta Sofonias (cf. 1ª leitura), vai ser exatamente dentre os humildes, os que aparentemente dizem ‘não’, que o profeta chama de ‘resto de Israel’, que nascerá o Salvador: “deixarei entre vós, um punhado de pessoas humildes e pobres. E no nome do Senhor porá sua esperança o resto de Israel” (Sf 3,12).

 

Estamos no tempo litúrgico do Advento, na preparação do Natal, e ao mesmo tempo, nesta celebração, estamos rendendo graças a Deus por mais um ano letivo que se finda e com ele a formatura de alunos e alunas do Colégio Dona Placidina. Considerando ainda esse tempo difícil: o final do segundo ano da pandemia do corona vírus, em que durante boa parte do tempo a vida acadêmica transcorreu de modo virtual. Contudo, Deus permitiu que se chegasse até aqui.

 

À luz do Evangelho de hoje, temos a sensação de que, certamente o cansaço pode ter batido à nossa porta, trazendo a vontade de desanimar. É possível que, tantas vezes, como na parábola dos dois filhos, deu vontade de responder “não quero”. Mas depois seguimos adiante, vencendo os temores e comodismos. E assim celebrar a uma vitória.

 

Há também um outro motivo. Quero expressar publicamente, em nome da Diocese de Mogi das Cruzes, o agradecimento às irmãs da Congregação das Ursulinas da Sagrada Família, que estiveram à frente da direção pedagógica do Colégio Dona Placidina e na coordenação do Centro de Convivência, desde 1967, portanto, há 54 anos. Sob a direção e orientação da Superiora Geral, Madre Giovanna Fiorile, elas estão, neste mês, encerrando seu trabalho, realizado todos esses anos com grande dedicação e esmero. Ao lado da diretoria executiva e do conselho curador, a irmãs ursulinas foram protagonistas para que o Colégio Dona Placidina ganhasse, nessas cinco décadas, grande projeção na sociedade mogicruzense, graças à excelência do ensino oferecido e aos exitosos resultados obtidos pelos alunos que concluíam seus cursos e se encaminhavam para vestibulares e outras iniciativas.

 

Como não lembrar a saudosa e benemérita Irmã Clara Zimmitti, Ir. Lourdinha, Ir. Elena Ramos Bomfim e, nos últimos meses, Ir. Érica Simone Miranda Cordeiro. Nesses cinquenta e quatro anos, à luz da vontade de Deus e ao chamado da Igreja, as irmãs, desde 1967, respondendo positivamente ao convite do então primeiro bispo, Dom Paulo Rolim Loureiro, ininterruptamente, serviram a Igreja diocesana de Mogi das Cruzes seja no Colégio Dona Placidina, que estão deixando, e no Conjunto Santo Ângelo, periferia de Mogi das Cruzes, onde continuarão sua valiosa na obra social em favor da infância e da juventude carentes.

 

Com os alunos e alunas, formandos de 2021, rendemos graças a Deus por toda a comunidade acadêmica do Colégio Dona Placidina – direção pedagógica, professores/as, funcionários/as, pais, cada colaborador/a, tanto os conhecidos como os que anonimamente contribuem.

 

Que a celebração do Natal de Jesus Cristo traga paz aos nossos corações, com alegrias e bênçãos para as famílias, a Igreja e toda a sociedade. Por intercessão da e que desde o presépio, Sagrada Família faça brilhar a luz de Cristo para toda a humanidade apontando o caminho do verdadeiro Amor. Possamos viver um Natal e ter um ano novo abençoado. Amém!

 

Dom Pedro Luiz Stringhini

Mogi das Cruzes, 14 de dezembro de 2021